Friday, October 20, 2006

O Rock e o poder público

Por Santiago Queiroz
da Imprensa Varadouro



O Acre vive um momento único na cena de rock independente. Nunca antes duas bandas que sairam para tocar fora do Estado tiveram tanta repercussão na crítica especializada. O próprio Festival Varadouro é um reflexo disso, um evento ligado diretamente aos maiores organizadores da cena independente no país. Co-fundador da ABRAFIn (Associação Brasileira de Festivais Independentes), o evento se torna um dos maiores da região Norte. E qual é a relevância do poder público nesses acontecimentos?

Notório que esse recuperou o enfoque à cultura acreana. Despertando no povo o orgulho do "ser acreano" (e a valorização do nome Acre). Uma das medidas deste governo foi a implementação da Lei de Incentivo a Cultura, que aprovou, apenas no ano de 2006, 152 projetos com quase R$ 1 milhão em investimentos. Foram 60 da capital e 92 no interior do estado. Uma coisa importante a ser destacada é que esses projetos deixaram de ser apenas promoção de eventos para se tornarem projetos de produção artística em si.

Reativação da TV e rádio Aldeia é outro fator a ser destacado. Desativada desde 1990, voltou a funcionar normalmente a partir de 2002. A programação da TV e da rádio está voltada para a cultura acreana. Independente do tipo de cultura, todas tem destaque e só não tem um destaque maior por causa da falta de produção. "Nos não fazemos cultura, fomentamos, instigamos as pessoas a fazerem isso, promovemos e divulgamos seu trabalho, eles se sentem valorizados e depois que isso começou a ser feito temos uma quantidade de jovens criando música, poesias, artes plásticas e visuais", diz Jorge Henrique, diretor da rádio. É um canal de informação democrático onde a atenção dada a um pajé ou seringueiro é a mesma dada a um doutor em biologia ou saúde.

A última iniciativa do governo foi a instalação da Usina de Artes João Donato. A estrutura está instalada, mas começa a funcionar efetivamente a partir de 2007. A Usina disponibilizará cursos nas áreas de cinema, teatro e música. Além de cursos de formação profissional, como técnicos em som, fotografia, entre de outros. Os cursos serão abertos a qualquer um que estiver interessado.

Tratando-se propriamente de música, o que se pode destacar é o projeto "Garimpo Alternativo", organizado pela prefeitura. Bandas pré-selecionadas ganham espaço para tocar. Nesse caso, não importa se o trabalho é autoral ou não. O que importa é tocar para o público e mostrar o que sabem fazer.

Mas ainda há muito a ser feito pela administração do estado. Um dos pontos a ser trabalhado pelo poderpúblico é a continuação de projetos como Garimpo e Na Garagem, que pararam sem nenhum motivo aparente, e a facilitação das apresentações e exibição de trabalhos artísticos acreanos. O povo do Acre tem que absorver e assimilar esses artistas, a fim de que o trabalho dos mesmos seja valorizado e a cultura tenha força para crescer e se firmar, já que as nossas melhores bandas de rock, muito elogiadas Brasil a fora, tem pouco destaque nos circulares de Rio Branco.